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terça-feira, 15 de outubro de 2013

Libertem Ana Paula. Libertem nossos ativistas



A brasileira Ana Paula Maciel será mantida em prisão preventiva por 2 meses após protesto pacífico. (Foto: © Dmitri Sharomov / Greenpeace)
Um grupo de 28 ativistas do Greenpeace Internacional e dois jornalistas estão presos na Rússia suspeitos de pirataria. Entre eles está a bióloga brasileira Ana Paula Maciel, de 31 anos.
O grupo foi preso no dia 19 após um protesto pacífico contra a exploração de petróleo no Ártico, em uma plataforma da Gazprom, no mar Pechora. Todos eles podem ser condenados a até 15 anos de prisão.
Precisamos de sua ajuda para levar Ana Paula, os ativistas e jornalistas de volta para casa. Envie uma carta à presidente Dilma e ao embaixador da Rússia no Brasil Sergey Pogóssovitch pedindo a intervenção deles junto às autoridades russas.
Você também pode ligar para a Embaixada ou para os Consulados do Rio de Janeiro e São Paulo para pedir a libertação da nossa ativista Ana Paula.
Embaixada da Rússia:  (61) 3223.3094/4094
Consulado Geral da Rússia em São Paulo: (11) 3814.4100
Consulado Geral da Rússia no Rio de Janeiro: (21) 2274.0097


Fonte: Greenpeace


sexta-feira, 16 de março de 2012

Edgar Kupfer: "Eu quero agir de uma maneira nobre"

Apesar desse texto já ter sido publicado, há alguns anos, em sites e blogs, somente nesta semana tive a oportunidade de conhecê-lo. É muito bom! Em poucas palavras, o autor soube descrever o que muitos de nós, veganos, sentimos e temos vontade de dizer às pessoas que não entendem os nossos motivos éticos para não consumirmos produtos de origem animal. Ninguém melhor do que uma pessoa que sentiu na pele o que é ser preso, enjaulado, tratado como mercadoria ou um objeto qualquer, para ensinar como devemos agir em relação a todos os seres.

Edgar Kupfer-Koberwitz (1906-1991), nascido em Koberwitz, próximo de Breslau, Polônia, era um pacifista. Preso em Dachau (campo de concentração nazista) em 1940, foi abençoado, pelos deuses ou pelos guardas, dois anos depois, com um trabalho no almoxarifado do campo de concentração. Em pedaços roubados de papéis de rascunho e com pedaços de lápis, escreveu seu diário secreto. Em 29 de abril de 1945, Dachau foi liberado. Edgar Kupfer e os “Diários de Dachau” estavam livres. Os "Diários de Dachau" foram publicados em 1956, época em que Kupfer havia se mudado para Chicago.

(As páginas seguintes foram escritas no campo de concentração de Dachau, em meio a todo tipo de crueldades. Elas foram, furtivamente, escritas na barraca do hospital, onde fiquei durante minha doença, em um tempo em que a morte nos tocava dia após dia, quando perdemos 12 mil pessoas em quatro meses e meio.)


"Querido Amigo,


Você me perguntou por quê não como carne e você está imaginando as razões do meu comportamento. Talvez você pense que eu tenha feito votos – algum tipo de penitência – recusando todos os gloriosos prazeres de comer carne. Você pensa em filés com molhos, peixes suculentos, deliciosos presuntos defumados e outras milhares de preparações cárneas que seduzem milhares de paladares humanos. Então, você vê que estou recusando todos estes prazeres e você pensa que somente penitência, um solene voto, um grande sacrifício, poderia me levar a recusar esta maneira de aproveitar a vida, suportando com grande resignação.


Você parece atônito e me pergunta: “Mas por quê e para quê? E você fica imaginando que quase adivinha a verdadeira razão. Mas se estou, agora, tentando lhe explicar a verdadeira razão, em uma frase concisa, você ficará atônito, mais uma vez, porque o seu palpite está muito distante do meu real motivo. Escute o que tenho a lhe dizer.


Recuso-me a comer animais porque não posso me alimentar do sofrimento e da morte de outras criaturas. Recuso-me a fazer isto porque eu mesmo sofri tão dolorosamente que consigo sentir as dores dos outros pela lembrança dos meus próprios sofrimentos. Sou feliz, ninguém me persegue. Por quê deveria perseguir outros seres ou causar-lhes sofrimento? Sou feliz, não sou um prisioneiro. Por quê devo transformar outras criaturas em prisioneiros e jogá-las em jaulas? Sou feliz, ninguém está me machucando. Por quê deveria machucar os outros ou permitir que sejam machucados? Sou feliz, ninguém me maltrata, ninguém vai me matar. Por quê deveria maltratar ou matar outras criaturas, ou permitir que sejam maltratadas ou mortas, para meu prazer e conveniência?

Não é natural que não inflija a outras criaturas a mesma coisa que espero, e temo, nunca seja imposta a mim? Não é a coisa mais injusta, fazer estas coisas aos outros sem nenhum propósito além do gozo deste insignificante prazer físico, às custas de mortes e tormentos?

Estes seres são menores e mais desprotegidos do que eu. Você pode imaginar um homem racional, de sentimentos nobres, basear-se nestas diferenças para afirmar o direito de abusar da fraqueza ou da inferioridade de outros? Você não acha que é justamente o dever do maior, do mais forte, do superior, proteger a criatura mais fraca ao invés de matá-la?

Eu quero agir de uma maneira nobre.

Lembro da horrível época da Inquisição e lamento constatar que o tempo dos tribunais dos hereges ainda não terminou. Que todos os dias os homens cozinham em água fervente outros seres que lhes são entregues pelas mãos de torturadores. Fico horrorizado ao pensar que estes homens são pessoas civilizadas e não brutos bárbaros, não nativos. Mas, apesar de tudo, eles são, primitivamente, civilizados. Primitivamente, adaptados ao seu meio cultural. O europeu médio, flutuando entre idéias eruditas e belos discursos, comete todos os tipos de crueldades com um sorriso nos lábios. Não porque ele seja obrigado a fazer isto, mas porque ele quer fazê-lo. Não porque ele tenha perdido sua capacidade de refletir e compreender as terríveis coisas que está executando. Oh, não! Apenas porque ele não quer ver os fatos. De outra maneira, ele seria interrompido e aborrecido no desfrute de seus prazeres.

Considerando somente as necessidades, alguém pode, talvez, concordar com estas pessoas. Mas será isto realmente uma necessidade? Esta tese pode ser contestada. Talvez exista algum tipo de necessidade para estas pessoas que ainda não evoluíram a personalidades conscientes.

Não estou pregando para eles. Escrevo para você, para um indivíduo ainda atento que racionalmente controla seus impulsos, que se sente responsável, interna e externamente, por seus atos, que sabe que nossa suprema corte está instalada em nossas consciências e que não há uma corte de apelação contra isto. Existe alguma necessidade que leve um homem, totalmente consciente de si mesmo, a respaldar uma matança? Em caso afirmativo, cada indivíduo tem que ter a coragem de fazê-la com suas próprias mãos. Está é, evidentemente, uma covardia miserável: pagar a outras pessoas para sujarem suas mãos de sangue e abster-se do horror e da consternação de fazê-lo.


Penso que os homens continuarão a ser mortos e torturados, enquanto os animais forem mortos e torturados. Enquanto isto, haverão guerras, também, porque matar precisa ser treinado e aperfeiçoado em pequenos objetos, moral e tecnicamente. Não vejo razão para se sentir ultrajado pelo que outros estão fazendo, nem pelos pequenos ou grandes atos de violência e crueldade. Mas penso que já está mais do que na hora de se sentir ultrajado por todos os pequenos e grandes atos de violência e crueldade que realizamos contra nós mesmos. E, porque é mais fácil vencer as pequenas batalhas do que as grandes, penso que devemos tentar vencer primeiro nossas tendências às pequenas violências e crueldades para evitá-las, ou melhor, para superá-las de forma final e definitiva. Então, o dia chegará quando será fácil lutar e superar até mesmo as grandes crueldades. Mas nós ainda estamos adormecidos, todos nós, em hábitos e atitudes herdadas. Elas são como um molho suculento que nos ajuda a engolir nossa crueldade sem sentir seu amargo gosto.


Este é o ponto: Eu quero crescer em um mundo melhor onde uma lei maior conceda mais felicidade, em um mundo novo onde impere o mandamento de Deus: “Amai-vos uns aos outros”."


Fonte: Vista-se
       dharmabindu      

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Cultura e tradição

Neste último feriado (carnaval) estava com amigos e parentes em um sítio. Formávamos um grupo de 18 pessoas que passaram juntas 4 dias, longe do confete e da serpentina. Durante esse período, pude observar como é interessante o convívio de pessoas que tem hábitos diferentes. As discrepâncias são muitas, surgem nos pequenos detalhes. São gostos, preferências, idéias que se chocam. Ainda bem que o homem é um "animal sociável".

Das dezoito, o único vegano era eu. Havia, também, um vegetariano. O restante era onívoro. Como sempre, tive de desfiar as inúmeras razões que me fizeram tornar vegano. Todos os veganos e vegetarianos sabem como é isso: qualquer reunião que aconteça, seja Natal, festa de aniversário, Páscoa ou, simplesmente, um fim-de-semana no sítio, temos de nos "justificar" porque deixamos de comer carne. Há, mais ou menos, seis anos sou vegetariano e toda vez é a mesma coisa. Os "carnívoros" não se conformam. E sabemos porque: eles não querem admitir que estamos certos. E, com isso, admitir que estão errados. Afinal, são tantas as vantagens que uma dieta vegetariana traz que só quem é ruim da cabeça ou doente do pé não adere a ela.

Dentre os muitos argumentos que foram utilizados pelos "contestadores", tem um sobre o qual quero escrever. Eu falava sobre a semelhança entre os animais. Disse que um porco não diferia de um cão ou mesmo de um gato. E usei aquela famosa indagação: "Se amamos uns, porque comemos outros"? A resposta foi: "Não como cão porque não faz parte da nossa cultura comê-lo. Se fosse, não teria nenhum problema em comer".

Já escrevi, em outras oportunidades, que, para mim, um dos grandes problemas em se aceitar o veganismo funda-se na questão de valores. Valores tem relação com tradição e cultura. Consultei o Houaiss e encontrei essas acepções que se enquadram aqui:

Tradição: "herança cultural, legado de crenças, técnicas etc. de uma geração para outra; conjunto dos valores morais,espirituais etc., transmitidos de geração em geração".

Cultura: "conjunto de padrões de comportamento, crenças, conhecimentos, costumes etc. que distinguem um grupo social".


Como vemos, as tradições fazem parte da cultura de um povo. Penso que é muito importante que essas tradições sejam lembradas para que se preserve a história e possamos entender a origem e evolução do homem. Mas, isso não quer dizer que elas (tradições) não possam ser questionadas, re-avaliadas, re-pensadas, segundo a visão moderna. Hoje, o acesso à informação é muito maior e mais rápido. Já se sabe que uma alimentação vegetariana/vegana é saudável e suficiente para suprir as necessidades fisiológicas do ser humano. Já são conhecidos, e muito difundidos, os maus tratos que são infligidos aos animais nos matadouros, nas granjas, nas fazendas leiteira, de produção de carne e de pele. Então, por que fechar os olhos a essa cruel realidade que os animais vivem e insistir num hábito (comer carne) que torna o homem o mais selvagem dos animais?

Há várias campanhas do
PETA (People for the Ethical Treatment of Animals) bem difundidas no meio veg(etari)ano, e bem inteligentes, por sinal, que discutem essa questão das "tradições". Antigamente, era tradição apedrejar (até a morte) mulheres "pecadoras" em praça pública, queimar bruxas em fogueiras, resolver diferenças em duelos, possuir escravos. Todas elas foram superadas porque, felizmente, o bom senso prevaleceu. Por que esse mesmo senso não é capaz de perceber o quão errado está, quando estima a valia dos animais?

Li, recentemente, uma frase de
Claude Pasquini, que diz, em poucas palavras, o que estou querendo dizer aqui:
Uma injustiça continua sendo uma injustiça, mesmo que todo mundo a cometa.


Estima-se que o gênero
Homo tenha entre 1,5 e 2,5 milhões de anos de existência. Desde então, muita coisa mudou. Suas ancas ficaram mais estreitas, o sistema sudoríparo desenvolveu-se, as pernas mais compridas que os braços, a pilosidade reduziu, presença de branco nos olhos, o cérebro aumentou. A inteligência do homem superou (e supera) todos os limites. Filósofos, matemáticos e cientistas enaltecem a espécie humana. Sobre valores, ética e moral foram escritos vários compêndios e tratados. Contudo, há, ainda, uma semelhança que persiste entre os dois extremos (o selvagem e o civilizado): ambos continuam com pedaços de carne entre os dentes.

Para tornar os meus argumentos mais sólidos, postei, abaixo, um vídeo que contém frases/pensamentos de personalidades reconhecidas pelas atividades que desenvolveram. Assistam e reflitam.



quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Mensagem para um novo ano e uma nova atitude

Para escrever essa mensagem, procurei inspiração nos ensinamentos de Buda. Não que eu seja budista. Foi a frase da semana que me trouxe essa idéia.

Deixando de lado as considerações teológicas ou estudo das ciências divinas, Siddhartha Gautama, o Buda, foi um homem à frente de seu tempo. Esse pequeno trecho abaixo, extraído do site Saindo da Matrix, mostra-nos um pouco da índole do Venerável Monge:
Mas o espírito de Siddhartha era inquieto e pesquisador. Ele era dotado de uma inteligência aguda e de uma hipersensibilidade. Refletia sobre o significado da vida e do mundo, procurando a verdade por trás das coisas.

Como se vê, Buda foi um contestador. Apesar de sua condição nobre, que lhe permitia ser indeferente ao que ocorria em seu redor, quis conhecer a realidade da vida.
Ele refletiu que os ignorantes, embora fadados a ficarem velhos, doentes e morrerem, desprezam e abominam aqueles que estão passando por esta situação. Se todos nós passaremos por tudo isso, não é correto que tenhamos repulsa ou desprezo pela velhice, pela doença ou morte de outrem. Quando passou a pensar desse modo, desapareceu de Siddhartha todo o orgulho que sentia pela sua juventude, saúde e vida.

Muito bela e interessante a história de Buda. Dela podemos extrair boas lições. Mas o que pretendo com essa citação é mostrar a importância que tem a reflexão filosófica em nossa vida. Só através dela conseguimos criar uma consciência crítica.

Como o buda, deveríamos também indagar: "O que leva os homens a matar animais para comer, sabendo-se que hoje é possível uma alimentação saudável, sem o consumo de carne? É correto o que os homens fazem aos animais, explorando-os como mercadoria, retirando deles a pele, o couro, os dentes, a gordura, o sangue? É correto utilizá-los em testes laboratoriais? É correto utilizá-los em espetáculos artísticos? Mantê-los aprisionados em jaulas por toda a vida?

Essas e muitas outras questões devem ser feitas. E ao encontrarmos as suas respostas, verificarmos se estas estão de acordo com nossa moral, com nossos valores.

Espero que 2010 seja um ano de muita meditação. Meditemos como Siddhartha e procuremos respostas que sejam conformes à razão e à justiça.
Apenas uma coisa os animais esperam de nós: serem tratados com respeito.

Um bom Natal e Feliz 2010 a todos!


Para ler mais sobre Buda:


quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Os cães são naturalmente veganos?

Como disse no artigo anterior, O jeito de ser vegano, a alimentação de nossos animais domésticos, principalmente cães e gatos, é assunto que merece atenção especial e deve ser pensado sob a perspectiva vegana.
Como foi visto no fórum aberto para discussão do tema "Uma pessoa que compra carne ou ração com carne para seus tutelados pode-se considerar vegana?", existem muitas dúvidas entre veganos sobre qual a ração ideal que deve ser dada aos animais tutelados.
Contudo, a pergunta que deve ser feita, primeiramente, é: o uso de rações veganas é correto?
Para responder essa questão vamos, antes, relembrar um vídeo que é muito divulgado entre as comunidades vegana e vegetariana, que inicia com a questão "Os humanos são naturalmente carnívoros?".
O filme começa a analisar a questão e propõe que observemos dentes e mandíbulas. Afirma que os carnívoros tem mais caninos que molares e que sua mandíbula é mais alongada e pontuda. E contínua apontando as diversas diferenças entre carnívoros e herbívoros para mostrar que os humanos são, por natureza, herbívoros.
Usando das mesmas observações feitas no filme, não é preciso ser muito inteligente para notar que cães e gatos são, por natureza, carnívoros.
Segundo a Wikipédia - A enciclopédia livre -, é quase certo que o cão originou-se do lobo cinzento ou de outra espécie de Canis lupus. De acordo com a classificação científica, o cão pertence à ordem dos carnívoros. Há uma teoria que os primeiros cães domésticos surgiram há 10.000 anos.
Já o gato, também pertencente à ordem carnívora, é uma adaptação evolutiva do gato selvagem. Os sinais mais antigos de associação entre homens e gatos datam de 9.500 anos.
Parece-me um contra-senso tentar impor a cães e gatos, ou a qualquer outro animal carnívoro que se mantenha tutelado, uma dieta à base de ração vegetal. Nós, que lutamos pelos direitos dos animais, não deveríamos impor um comportamento que não é habitual do animal.
Alguns poderiam dizer que as espécies domesticadas são diferentes das selvagens. Que, após 10.000 anos, elas já adquiriram hábitos e alimentação próprios.
Pode ser verdade. Mas, o fato é que eles ainda tem mais caninos (enormes, por sinal) que molares e suas mandíbulas continuam alongadas e pontudas. E não estão nem aí para a filosofia vegana. No primeiro descuido, lá estão eles saboreando um osso que foi encontrado durante o passeio diário.
Todos os animais que são domesticados, e passam a viver em convívio com homem, alteram, de certa forma, suas características. Sofrem uma mutação forçada. Uma violência contra o seu estado natural.
Não é que eu não goste de animais por perto. Pelo contrário. Em nossa casa temos uma golden retriver, de nome Vitória, que é o ser mais dócil que conheci. Faz a alegria de todos que convivem com ela. Porém, às vezes, fico me perguntando se ela não seria mais feliz se vivesse juntamente com outros de sua espécie, livres, correndo, caçando, em bando. Não teria a comida fácil, médico quando precisasse, brinquedos e petiscos, de vez em quando. Por outro lado, também não teria stress, ansiedade, problemas comportamentais e psicológicos dos cães modernos.
Talvez a humanização que impomos aos animais traga mais problemas que benefícios.
A verdade é que, num mundo totalmente vegano, se isso não for uma utopia, ou todos os animais domésticos seriam veganos, ou todos os animais domésticos não seriam carnívoros, ou não teríamos animais domésticos.
A última opção parece-me a mais correta.
O cão, finalmente, seria recompensado por ter sido o melhor amigo do homem por milhares de anos.
E o gato não precisaria ter sete vidas. Uma só já lhe deixaria contente.

Para quem não assistiu ao vídeo

terça-feira, 6 de outubro de 2009

O jeito de ser vegano

Em uma comunidade vegana, criada no site de relacionamento Orkut, foi aberto um fórum para discussão do seguinte tema: Uma pessoa que compra carne ou ração com carne para seus tutelados pode-se considerar vegana? São três as opções de resposta: 1) Sim. Explique. 2) Não. Explique. 3) Não sei, tenho dúvidas. Quais?
Um total de 42 pessoas votaram (até o dia 28/09/2009). O resultado era o seguinte:
Sim - 23 votos (54,7%).
Não - 15 votos - (35,8%).
Não sei - 4 votos (9,5%).
Como se pode notar, as opiniões estão bem divididas. Constata-se logo que, se essa divergência ocorre, ainda existem questões que precisam ser melhor discutidas e analisadas pela comunidade vegana.
Entre a maioria das respostas que optaram pelo "sim", a opção pelo veganismo é uma questão pessoal. Vegano é o tutor e não o tutelado. Nada deve ser imposto.
Já os que optaram pelo "não" acreditam que declarar-se vegano é não colaborar com a indústria da carne de forma alguma. Vegano é vegano e ponto final. O tutelado, se quiser comer carne, que se vire.
As "dúvidas", dos que optaram pela opção 3, em sua maioria, se referem à ração para os animais, principalmente sobre a qualidade nutricional da ração vegana.
Segundo um dos posts que está registrado no fórum:
"O veganismo é um passo além da dieta vegetariana. Motivados por ética e respeito aos direitos dos animais, os veganos não consomem ou utilizam qualquer tipo de produto de origem animal: carnes, leite e derivados, ovos, gelatina, couro, seda, peles, cosméticos testados em animais, não vão a circos com shows de animais, rodeios, etc. O vegano tenta evitar qualquer coisa, produto ou ação que tenha causado sofrimento desnecessário a um ser senciente, seja ele um animal humano ou não-humano. Definição extraída da comunidade Veganismo" (grifo meu).
Em outro post:
"Acho que veganos não contribuem de maneira alguma com o uso de animais [p/ qquer fim]" (grifo meu).
Os autores desses posts, usando de seu livre direito de opinar, optaram pelo não.
Mas, há casos e casos. Vejam o meu, por exemplo. Moro com a esposa e dois filhos. Todos éramos carnívoros. Éramos porque, há mais ou menos seis anos, decidi me tornar vegetariano. Na verdade, um ovo-lacto-vegetariano. Aí, fui me instruindo, informando, pesquisando (como já escrevi em meu perfil), e me tornei vegano (há quase três anos). Bom, vegano é como me defino.
Foi, então, que surgiu o problema. Em casa, só eu me tornei vegano. Os outros continuam carnívoros. A maior parte das despesas, incluindo as com alimentação, são pagas por mim. Vamos ao mercado e eu procuro comprar os produtos veganos. Verifico os ingredientes, a composição e, quando lembro, o fabricante. Minha esposa e filhos (estes, quando vão) enchem o carrinho com os produtos de sua preferência. Compram na seção de laticínios, no açougue, peixaria, leite, ovos e por aí vai. Não se importam com a composição, nem com os ingredientes. E, no final, sou eu quem paga a conta.
O dilema está posto. Se sou vegano, segundo a definição acima, não devo colaborar com a exploração animal. Por outro lado, tenho obrigações para com a família. O que fazer? Devo obrigá-los a seguir a minha ideologia? Impor a minha vontade? Fazer com que eles consumam os produtos que eu escolher? Devo reunir a família e comunicar: "A partir de hoje, nesta casa, só entra produto vegano. Quem quiser ficar, fique. Quem quiser ir, hasta la vista"?
Apesar do veganismo ser uma ideologia radical, isso me parece um excesso. Vamos supor a seguinte situação e fazer uma inversão de papéis. Muitos veganos moram com seus pais e dependem do sustento fornecido por estes. Pedem que seus pais comprem os produtos que querem consumir. Brigam pelos seus direitos. Então, eu pergunto: se para nós, veganos, o pai que é carnívoro tem obrigação de respeitar a opção do filho vegano, por que o pai vegano não deve respeitar a opção do filho carnívoro?
Vamos pensar em outra situação: uma pessoa trabalha em uma empresa, há alguns anos. De repente, resolve tornar-se vegano. Essa empresa, de alguma forma, colabora na exploração animal (Procter & Gamble, Reckitt Benckiser, Unilever ou outra qualquer). O que ela deve fazer? Pedir demissão e procurar outro emprego? Entrar na fila do seguro-desemprego?
Um vegano mais ortodoxo diria que, por ser consciente de todos os problemas e maus tratos causados aos animais e ao meio-ambiente, o pai vegano tem obrigação de advertir seus familiares, mostrar-lhes o que é correto e não cooperar com a indústria da morte. Tampouco um vegano deve trabalhar em uma empresa que produz ou comercializa produtos que foram testados em animais ou possuem algum ingrediente de origem animal.
É um ponto de vista. Deve ser respeitado, como todos os outros. Porém, como a maioria dos pontos de vista, ele é baseado em opiniões, que por sua vez são baseadas em valores. E é aí que está o x da questão. Os valores podem se apresentar de diferentes formas em cada pessoa. Família, amigos, experiências vividas e aprendizado adquirido ao longo do tempo, influenciam na formação do parecer que cada um faz a respeito de determinado assunto. Por exemplo, existem pessoas que são favoráveis à pena de morte. Há, também, pessoas que são favoráveis ao aborto, à eutanásia, à realização de pesquisa com presidiários, que fazem sexo por dinheiro, que acham natural o adultério. Há pessoas que são totalmente contra tudo isso. E há algumas que concordam, apenas, com alguns desses exemplos.
Há pessoas que acham correto comer carne. Principalmente, porque foram criadas assim. A imposição, a meu ver, em nada contribui na formação de um valor. Acredito que cada pessoa tem o seu tempo certo. O tempo certo para alcançar o discernimento necessário para avaliar, da melhor forma, essas questões e poder, realmente, distinguir o que é certo e o que é errado.
Por isso, penso que os critérios para se definir o vegano não devem ser tão restritos. Ao invés de usarmos os termos não contribui ou colabora, deveríamos, tão somente, usar não consomem ou utilizam, como aparece na definição da Comunidade Veganismo, segundo o post acima. E acrescentaria: não consumir, usar ou utilizar, nunca. Mas dialogar, informar e divulgar, sempre.
O artigo rendeu e nem falei sobre a alimentação dos animais. Mas isso vai ficar para um próximo artigo, porque esse tema também merece muitas considerações.